relance


domingos progressivos somam um mês


e se nesse domingo eu acordei com vontade de ficar bêbada. e se nesse domingo eu vou deixar de vomitar antes de beber ao acordar para vomitar de beber. bebe. uma amiga traz um na barriga. no sabado em que alguém morreu ao ir trabalhar. um nasce. outro morre. patético. eu quero ficar bebada nesse domingo ao acordar.

Escrito por paula huven às 13h42
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domigo III


sente a chuva que cai la fora? Sinto a tempestade que cai dentro. Cai lá dentro. Manancial, torrente, enchente. Tudo encharcado pela tempestade, que é mais eu do que a chuva. Porque a tempestade chega de repente e derruba tudo, molha tudo, destrói tudo, deixa rastro em tudo, nem sempre é breve mas quase sempre chega de repente e se alastra em tudo. Eu amo as coisas “de repente”. Essas que funcionam como tempestades, então! Ahhh essas eu quero a vida toda. Eu gosto de ser destruída e depois me recompor, toda lavada de tempestade. E os cabelos molhados depois da tempestade? Esses eu também quero para sempre tocando minha nuca! E sair por ai com cara de espanto, de olhos arregalados e uma sugestão de sorriso nos lábios. Porque depois da tempestade a gente não ri, só desenha um sorriso na alma lavada.

Escrito por paula huven às 20h03
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uma sintonia indesejável


e então a cidade com uma nuvem fosca. a cidade com um ar denso.
não tem vento. não tem azul nem branco no céu.
a tempestade combina mais.
e esse ar, essa falta de ar, me ajuda com a minha falta de ar.
me ajuda com a minha intensidade. e eu também estou fosca.
não aguento a cidade. não aguento eu.
e agora eles parecem caminhar juntos.

Escrito por paula huven às 12h02
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Escrito por paula huven às 11h53
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porquê relance

instantes capturados entretais

"Esse relance me deu ela de corpo inteiro,..., na certa devo ter-lhe fotografado mentalmente a cara -
e quando se presta atenção espontânea e virgem de imposições, quando se presta atenção a cara diz quase tudo"
Clarice L.

Escrito por paula huven às 00h48
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domingo II

o dia está úmido
eu estou seca

Escrito por paula huven às 13h41
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Escrito por paula huven às 00h04
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domingo


Entre mim e o verde, a água do ar. A verde água do ar. Vejo tudo através de um copo cheio.
Nada se ouve. (...) trata-se extamente de agora. Agora o tempo é inchado até os limites. (C.L.)


Escrito por paula huven às 20h30
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qual é a última gota?




Escrito por paula huven às 17h18
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" Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.

Que tem que ser vivido até a última gota.

Sem nenhum medo. Não mata. "

Clarice Lispector

Escrito por paula huven às 17h09
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ontem vi o corpo só. é só isso.



Escrito por paula huven às 10h45
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" Navegar é preciso, viver não é preciso ..."

Escrito por paula huven às 19h24
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azul que é pura memória de algum olhar (ou Um pode ser a metade)






Escrito por paula huven às 18h15
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o segredo da brincadeira



Descobri: divertido é não saber onde está mas poder ver. Tocar ao menos com os olhos.

E a chuva. E a quarta-feira-de-noite-de-chuva. Onde eu não gostaria de estar.

O cheiro é bom. O vento é bom. O vácuo não é bom.


Escrito por paula huven às 21h08
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brinco do inverso da distância

`As vezes penso que posso esticar os braços e pegar lá longe. eu posso. inventei que posso e assim estico e assim pego.

`As vezes penso que sempre tenho que esticar. mas não tenho. e assim estico e assim deixo pra traz.

Acho que perdi a referência de longe e perto. E gosto de não saber exatamente onde estão as coisas.

`As vezes dói. `As vezes eu me divirto.

`As vezes eu me confundo. E não sei mais o que é diversão, o que é dor.

Ai.



Escrito por paula huven às 03h41
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